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RED HEADED WOMAN – 1932



A MULHER DOS CABELOS VERMELHOS foi mais um veículo da MGM para que Jean Harlow reencarnasse o símbolo sexual que surgiu em ANJOS DO INFERNO(1931).  Na história de Katherine Brush(com roteiro de Anita Loos), Lillian ou Red é uma voluptuosa e bela mulher que deseja subir na vida. O luxo que procura está ligado aos homens que precisa possuir e eles são sua escada. Ela pinta os cabelos de vermelho e diz: “Então os homens preferem as loiras, não é?” Olha no espelho com extrema segurança e completa com um irônico “tá bom!”. Harlow contracena com Una Merkel, sua fiel amiga no filme e com o charmoso Chester Morris.
A comédia produzida por Irving Thalberg foi realizada antes do código Hay começar a vigorar em toda Hollywood. O que a torna super interessante, por sinal, ao apresentar tantos detalhes que a sociedade jamais concordaria que uma mulher possuísse. Lil ou Red  é o símbolo da mulher sem escrúpulos, que usa e abusa de sua forte sensualidade para conquistar cada vez mais, atrair ainda mais e faturar sem limites. E não existem mesmo limites para Red: Sally (Una Merkel) é a amiga de todas as horas, mesmo chocando-se com as atrocidades de falha de caráter que provêm de Red, ela a apóia até o fim, ouvindo seus absurdos para conseguir um lugar na alta sociedade. Ouve-se sempre um suspiro de susto em Sally, a cada história contada pela vigarista.

O troféu maior de Red no início do filme é William Legendre Jr(Chester Morris), filho de um rico empresário, cuja fortuna é um dos sonhos de consumo da ruiva sensual. Ela consegue um emprego de secretária na empresa onde pai e filho trabalham juntos e assim, Red põe seu plano em ação: destruir o casamento de Bill com Irene(Leila Hyams), uma recatada e educada mulher, que ama Bill, mas não consegue aceitar o fato dele ter se envolvido com tal tipo de mulher. Bill ama a esposa, mas sua atração pela amante é mais forte até que um sólido casamento com uma amorosa e doce esposa. O pai de Bill, vivido pelo lendário Lewis Stone, percebe logo o plano da golpista e avisa ao filho que um casamento como o dele é difícil de achar. Ele até pede para Bill mandar ele pessoalmente dar dinheiro para Red sair da cidade, mas...Tudo em vão. Eles se reencontram e ela o seduz novamente.

A cena de Harlow chegando na casa de Bill e Irene bêbada é um dos pontos altos do filme, e vemos com nitidez o talento cômico desta que foi tão desvalorizada como atriz pela imprensa. A cena anterior é Harlow se embebedando de gim ao som de “Frankie and Johnny” e sem dúvidas é uma das melhores. Chega Sally desliga o gramophone e diz: “E tudo isso por que um cara não quis te atender no telefone...”
É possível ler na Internet alguns depoimentos de pessoas que assistiram RED-HEADED WOMAN e ficaram revoltadas com o bom final escolhido para Red. Como, afinal, uma mulher desclassificada como essa pode ter um bom destino? Será que isso não sugeitaria mulheres a se tornarem Reds da vida? Muito relativo: questão pura e simplesmente de caráter. Quem já tem vocação verá o filme como inspiração, mas quem não tem se espelhará na mocinha Irene e seu desejo de manter ao lado dela o homem que ama, sem golpe baixo. Ou de Sally, a amiga que vê tudo de errado, mas não trai jamais.

Para a produção, a MGM colocou em Jean uma peruca ruiva, já que Clara Bow(que não precisaria recorrer a artifícios, já que era ruiva de verdade) não aceitou fazer o filme pois já havia assinado um contrato com a Paramount. Estava, portanto receosa em assinar outro com a Metro. Apesar de imaginar este filme perfeitamente com Clara, hoje é difícil lembrá-lo sem que venha a figura graciosa de Harlow à mente. Atenção para a aparição de Charles Boyer como o terceiro amante de Red – o motorista Albert. Enfim, existem vários motivos para procurar este filme, já que ele não foi lançado no Brasil. As atuações, a produção caprichada, direção de Jack Conway, direção de arte do mestre Cedric Gibbons e...é claro! Os figurinos belíssimos de Adrian.

Quem nunca viu, vejam pelos atores, pela equipe maravilhosa. É uma diversão que certamente gostarão de repetir várias vezes!!!
Capa do livro


Jean lendo uma cópia do livro


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